É possível voltar à vida normal depois do coma? Médicos dizem a verdade

Após um acidente de esqui nos alpes franceses em 2013, o ex-piloto de F-1 Michael Schumacher passou meses em coma e há anos se recupera do trauma. Seu estado de saúde tem sido mantido longe do público desde então.

Mas, será possível voltar à vida normal depois de um coma prolongado? Médicos dizem a dura verdade: na prática, o coma é um estado cheio de perguntas sem respostas exatas.

As alterações de consciência podem ser leves ou profundas. Tudo depende da causa do coma, da área afetada do cérebro e da intensidade.

Renato Anghinah, coordenador do Núcleo de Neurologia do Hospital Samaritano de São Paulo

Por definição, coma é quando a pessoa fica inconsciente por disfunção ou lesão cerebral e não é capaz de despertar e responder a estímulos. “O paciente desliga, é a completa falta de respostas”, afirma Gisele Sampaio, neurologista do hospital Israelita Albert Einstein.

A situação mostra que há algo errado no sistema nervoso central, o que pode ser resultado de um traumatismo craniano, AVC (acidente vascular cerebral), tumores ou até de problemas metabólicos, como diabetes ou parada cardíaca.

Além disso, também há o coma induzido, quando os médicos escolhem sedar o paciente para proteger o cérebro enquanto tratam uma lesão (que pode ser cerebral ou não). Foi o que houve com o ex-piloto Michael Schumacher.

A área afetada do cérebro e a gravidade vão influenciar no momento em que o paciente pode acordar. Quando o paciente acorda, também não é possível prever quais serão as sequelas.

Existem algumas expectativas, de acordo com Anghinah: “Sequelas ortopédicas são comuns, por desuso muscular. Na maioria das vezes, pacientes com traumatismo desenvolvem problemas na memória, mas cada caso é um caso. Tudo depende de como, quando e onde o cérebro foi atingido”.

Diferentes comas

Para se ter uma noção do estado do paciente, análises das capacidades motora, verbal e ocular, ajudam a definir o quadro. No coma profundo, por exemplo, não há respostas e a pessoa pode depender de aparelhos. Também existem níveis em que o paciente reage aos estímulos de dor e faz sons. Quanto mais respostas, mais perto da possível recuperação.
A realidade é que tudo depende. Cada paciente pode apresentar uma dificuldade diferente.

No ES, paciente está em coma há 16 anos
cerebro-e-coluna_blog_voltar-do-coma_01Tenente coronel Jorge Potratz cuida da paciente Clarinha, que está há 16 anos em coma no hospital da Polícia Militar em Vitória, ES

Um caso que não tem respostas precisa é o de Clarinha, que está internada há 16 anos em coma no hospital da Polícia Militar de Vitória, Espirito Santo. “Ela foi atropelada no dia dos namorados em 2000, foi socorrida e já chegou ao hospital em coma. Não sabemos seu nome real e não encontramos seus parentes”, conta tenente-coronel Jorge Potratz.

A paciente tem reações, consegue sentar na cama, quando chamada tem reflexos e responde ao toque, mas não acorda. “Ela tem uma saúde estável, nunca pegou nenhuma infecção mesmo morando no hospital, mas não interage. Passamos esses anos buscando sua família e queríamos encontrá-los para saber mais sobre ela”,diz Potratz.

No coma, é certo dizer é que quanto maior a duração, maior o dano cerebral. As chances do paciente vão diminuindo.

Eliane Lannes, do hospital Niteroi D’Or, no Rio de Janeiro

Lannes diz também que é difícil precisar as sensações que o paciente tem. “Os nervos que recebem os estímulos dolorosos podem estar intactos, mas o cérebro danificado pode não processar a informação, assim o paciente não tem consciência das sensações como frio e calor.”

O mesmo acontece no caso da audição, o paciente pode estar sem lesões das vias auditivas e escutar a família e a equipe médica, mas não processar a informação, segundo Lannes.

Infelizmente, não há um tratamento específico para fazer com que alguém retorne do coma. “O tratamento é resolver o que causou o coma, se for o AVC, desentupir a artéria. Mas tratamento para o coma não existe, cuidamos da saúde de forma geral e aguardamos as evoluções”, explica Sampaio.

Fonte: UOL
Jornalista: Maria Júlia Marques

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